“Frases como a célebre ‘Uma imagem vale por mil palavras’ ganharam terreno sem que as pessoas se dessem conta de que o que ganhou fama foi a frase – que não é formada por imagens, mas por palavras.”
O Deus da criação – Adilson Chavier
Ontem estava no avião voltando para o Rio Grande depois de longos meses em SP e estava lendo um livro muito interessante sobre publicidade, de onde tirei a frase acima.
Na hora, quando li a frase, fiquei chocado. Como que nunca tinha percebido isto antes? Talvez até você não tenha percebido também. E talvez também não tenha percebido como as novas gerações de estudantes de publicidade supervalorizam o poder das imagens e se esquecem da beleza e do impacto que as palavras podem causar.
Na faculdade onde estudo sou um dos responsáveis da agência Junior, e todo ano recepcionamos os novos alunos, apresentamos os setores da agência e tentamos encaminha-los às áreas de sua preferência. Perguntei aos novatos quantos deles gostariam de ser redatores, ninguém gostaria. Parti para a psicologia, tentando descobrir o redator oculto dentro de algum dos que estava ali. Comecei perguntado quantos leram algum livro nas férias. Quantos haviam lido algum livro nos últimos três meses. Quantos gostavam de escrever. E me surpreendi, pois em uma turma de 60 alunos, nenhum havia lido nenhum livro nos últimos três meses e nenhum deles gostava de escrever.
Tirando aqueles que entraram no curso de PP porque acham isso descolado, a maioria deles pretendia ser diretor de arte. Não estou falando isto pelo glamour da profissão ou por achar que a área de redação é o cerne da publicidade, mas o fato é que não se dá o devido valor ao poder que as palavras tem. A publicidade não tem dado o devido valor.
Trabalhei em duas agências que não viam muitas vantagens em se desenvolver a área de redação. Acreditavam que isto era um luxo para grandes agências com grandes clientes. Eu estava ali apenas para corrigir textos.
No outro extremo estão as agências que acreditam no poder das palavras, desde que juntas criem boas sacadinhas. Aquelas que acreditam no poder do “no nosso mês de aniversário quem ganha o presente é você!”.
E distantes, solitárias em meio a tudo isto, estão aquelas agências que acreditam que a suas palavras são capazes de encantar, surpreender e mudar a mente e o coração dos consumidores. Elas podem ser grandes ou pequenas, mas são capazes de compreender isso. E estão repletas de pessoas capazes e inteligentes, dos redatores aos diretores de arte, passando pelos mídias, atendimento, planejamento aos próprios donos de agências, que lutam para que suas palavras valham tanto quanto as imagens.
É em agências assim que quero trabalhar e com pessoas assim que quero aprender.
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Dá uma olhada no post: "Mi casa, su casa!".